Que é o jejum e como é usado como uma disciplina espiritual?
A Bíblia diz em 2 Crônicas 20:3 “Então Jeosafá teve medo, e pôs-se a buscar ao Senhor, e apregoou jejum em todo o Judá.”
O jejum é uma forma de demonstrar a Deus a nossa grande necessidade da Sua ajuda. A Bíblia diz em Esdras 8:21 “Então proclamei um jejum ali junto ao rio Ava, para nos humilharmos diante do nosso Deus, a fim de lhe pedirmos caminho seguro para nós, para nossos pequeninos, e para toda a nossa fazenda.”
O jejum não deve ser usado para fazer uma boa impressão nos outros. A Bíblia diz em Mateus 6:17-18 “Tu, porém, quando jejuares, unge a tua cabeça, e lava o teu rosto, para não mostrar aos homens que estás jejuando, mas a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.”
O jejum pode ser um simples regime alimentar. A Bíblia diz em Daniel 10:2-3 “Naqueles dias eu, Daniel, estava pranteando por três semanas inteiras. Nenhuma coisa desejável comi, nem carne nem vinho entraram na minha boca, nem me ungi com ungüento, até que se cumpriram as três semanas completas.”
O LIVRO DE DANIEL
O livro de Daniel é incomparável, não somente porque revela alguns dos temas de profecia mais
importantes, mas também por causa de sua estrutura. Os primeiros seis capítulos de Daniel
contêm histórias de fé contadas de um modo que impressiona até mesmo crianças pequenas,
mas têm aplicações práticas que inspiram os cristãos amadurecidos. Os últimos seis capítulos, contudo,
desafiam até mesmo o estudante avançado da Bíblia por causa do estilo apocalíptico no qual é escrito.
Daniel tem estado sob ataque talvez mais do que qualquer outro livro de profecia. Teólogos liberais
negam sua integridade e declaram que o livro é uma espalhafatosa falsificação. Por outro lado, muitos
teólogos “fundamentalistas” têm torcido a mensagem do contexto e têm permitido que suas
imaginações se desgovernem, de modo a dar explicações pré-milenaristas às partes apocalípticas
figurativas.
Em vista destas controvérsias sobre Daniel, precisamos ser cautelosos para que não insiramos idéias
preconcebidas em sua mensagem. Primeiro, aprendamos sua ambientação histórica, e então
certifiquemo-nos de que a interpretação aceita para as passagens difíceis siga as regras básicas do
estudo da Bíblia: ì A interpretação precisa concordar em contexto com o próprio livro; e í Ela precisa
ser consistente com tudo o mais que a Bíblia diz sobre o assunto.
I. Ambiente para Estudar o Livro
A. Daniel, o homem em si
1. O nome “Daniel” significa “Deus é meu juiz”.
2. Daniel era um homem de fé profunda e persistente. Quando jovem, “resolveu...,
firmemente, não contaminar-se” (1:8), mesmo quando nesse tempo ele estivesse
desobedecendo uma ordem do rei sob o qual ele estava cativo. O princípio de obedecer a
Deus acima do homem guiou-o através de toda a sua vida e foi exemplificado novamente
quando era um velho, talvez perto dos noventa anos, quando ele foi lançado na cova dos
leões por recusar uma ordem do rei (Daniel 6).
3. Daniel foi abençoado por Deus por causa desta fé. Ele serviu, como estadista, conselheiro
e profeta de Deus, aos reis da Babilônia e mais tarde aos reis dos medos e dos persas. Ele
anunciou destemidamente aos reis ateus que Deus impera nos reinos dos homens.
4. Daniel era um contemporâneo tanto de Jeremias como de Ezequiel, ainda que nenhuma
referência indique que estes homens tenham passado tempo juntos ou conferenciado um
com o outro. Jeremias tinha provavelmente vinte anos a mais do que Ezequiel e Daniel, que
tinham aproximadamente a mesma idade. Os três profetas fizeram sua obra em lugares
diferentes:
a. Jeremias permaneceu em Jerusalém (626-586 a.C.)
b. Daniel viveu na cidade capital da Babilônia (605-534 a.C.)
c. Ezequiel estava na Babilônia com os exilados judeus (592-570 a.C.).
5. Nada sabemos sobre a vida pessoal de Daniel além do que é revelado no próprio livro. Em
tempos anteriores, o termo “eunuco” era usado para se referir àqueles da nobreza em vez
de ter nosso uso comum, portanto, se Daniel era casado ou não, é incerto.2
B. A data da sua obra (605-534 a.C.)
1. Daniel estava entre os primeiros cativos levados de Jerusalém para a Babilônia em 605 a.C.
e continuou lá durante o período de setenta anos durante os quais os israelitas estiveram
em cativeiro (veja Daniel 1:1,21;10:1; Jeremias 25:11;29:10).
2. Datas importantes a lembrar:
a. 612 a.C. S Queda de Nínive, capital do império assírio.
A Assíria tinha dominado o mundo desde os dias de Tiglate-Pileser em 845 a.C.
Nabopalasar subiu ao trono da Babilônia e se rebelou com sucesso contra os assírios
em 625 a.C. Nabucodonosor, seu filho, foi o general que conduziu o exército babilônio
contra Nínive, derrotando-o em 612 a.C.
b. 605 a.C. S A batalha de Carquêmis provou a supremacia babilônia.
Depois que a Assíria foi vencida, os egípcios se levantaram e o faraó Neco veio com seu
exército lutar contra os babilônios em Carquêmis. De novo, Nabucodonosor provou sua
astúcia vencendo duramente os egípcios e então perseguiu-os no caminho para o sul,
através de Judá. Em Jerusalém, contudo, ele soube da morte de seu pai Nabopalasar.
Retornou imediatamente à Babilônia para assumir o trono de seu pai, mas levou
consigo alguns reféns dos judeus. Daniel e seus três amigos estavam entre os primeiros
cativos levados. Não nos é dito quantos outros foram levados.
c. 597 a.C. S Uma segunda leva foi encaminhada para Babilônia, incluindo Ezequiel.
Joaquim (Jeconias, Conias) tinha sucedido ao reino de seu pai, Jeoaquim. Contudo,
durou somente três meses antes que Nabucodonosor viesse para remover seu rei
rebelado e 10.000 judeus, entre os quais estava Ezequiel (2 Reis 24:8-16; Ezequiel
1:1-3).
d. 586 a.C. S Jerusalém caiu e o templo foi destruído.
Zedequias tinha sido instalado como governador em Jerusalém, mas foi fraco e
vacilante. Finalmente, onze anos depois, o exército babilônio devastou totalmente
Jerusalém (2 Reis 25:1-7). A maioria dos judeus que não foram mortos foram levados
cativos para a Babilônia. Jeremias preferiu permanecer atrás com alguns poucos
sobreviventes (Jeremias 40-44).
e. 536 a.C. S Babilônia cai, e a primeira leva retorna a Jerusalém.
Ciro, o rei persa, envia de volta a primeira leva para Jerusalém, guiada por Zorobabel
(leia os livros de Esdras e Neemias). A fundação do templo foi lançada em 520 a.C. e
completada em 516 a.C. (leia Ageu e Zacarias).
f. 457 a.C. S Uma segunda leva retorna com Esdras.
A nação é reorganizada e a palavra de Deus é lida.
g. 444 a.C. S uma terceira leva retorna com Neemias.
O muro é reconstruído em volta de Jerusalém.
C. Tema do Livro de Daniel: “O Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens” (Daniel 2:21;
4:17,25,32,34-35; 5:21).
O livro trata do conflito entre o reino de Deus e os reinos do mundo. Naturalmente, por trás
disto está o conflito entre Deus e as divindades pagãs. Deus prometeu estabelecer seu próprio
reino e defender a causa de seus santos que o serviam naquele reino (Daniel 2:44;7:27). A
verdade desta profecia é comprovada pelo fato que Deus é ainda conhecido em todo o mundo,
mas todas as divindades pagãs dos dias de Daniel foram esquecidas.
DANIEL 1:1-21
Parte I: Eventos Históricos, Capítulos 1 - 6
I. Daniel Propôs em seu Coração que Não se Contaminaria, 1:1-21.
A. Daniel e três amigos são selecionados para preparação especial, 1:1-7.
1:1 S O começo do cativeiro de Daniel é dado como “o terceiro ano” do reinado de Jeoaquim.
Os críticos gostam de se referir a esta passagem como prova de contradição, porque Jeremias
25:1 diz “o quarto ano de Jeoaquim foi o primeiro ano de Nabucodonosor”. Porém não ocorre
contradição aqui. Jeremias estava falando do ponto de vista hebreu enquanto Daniel estava
falando do ponto de vista babilônio. Os babilônios não contavam o ano no qual um homem se
tornava rei enquanto um ano inteiro de reinado não era completado, enquanto os hebreus
consideravam qualquer parte do ano da ascensão como o primeiro ano. Portanto, o quarto ano
hebreu era equivalente ao terceiro ano babilônio.
1:2 S Antes da invasão de Jerusalém, Nabucodonosor tinha derrotado o Egito em Carquêmis,
o que provou claramente que a Babilônia era o poder dominante (Jeremias 46:2). Ele perseguiu
os egípcios até o sul de Jerusalém onde ele soube da morte de seu pai. Então retornou à
Babilônia para assumir o trono, mas levou consigo alguns cativos judeus e tesouros do templo
para a terra de Sinar, que é a área da Babilônia também conhecida como Caldéia.
“O Senhor lhe entregou nas mãos a Jeoaquim”. Nabucodonosor não teria sucesso se não fosse
permitido por Deus (cf. Jeremias 27:5-8). Isto dá o tom do tema da profecia de Daniel: “Deus
tem domínio sobre o reino dos homens”. Não nos é dito quantos cativos foram levados desta
vez; somente que Daniel, Hananias, Misael e Azarias estavam entre eles. Lembramos esta data
(605 a.C.) como o começo do cativeiro de Judá. Nabucodonosor veio contra Jerusalém mais
duas vezes (597 a.C. e 586 a.C.).
1:3-4 S Nabucodonosor comissionou Aspenaz, chefe de seus servos, para selecionar alguns dos
jovens judeus nobres para serem preparados na sabedoria e cultura dos caldeus. Sabemos que
eram jovens, mas qual exatamente era a idade deles é incerto. Muitos estudiosos pensam que
Daniel tinha entre quatorze e vinte anos. Ele era um jovem de estatura elegante e inteligente, e
agora é selecionado para um papel honroso no reino de Nabucodonosor. Estas vantagens
tentariam a maioria dos jovens a serem orgulhosos e arrogantes, mas Daniel nunca esqueceu
que seu primeiro dever era ser um servo de Deus!
1:5 S O rei favoreceu estes jovens com alimento de sua própria mesa. Durante três anos eles
deveriam receber provisões reais e educação, de modo que pudessem ser preparados para
servir no governo de Nabucodonosor.
1:6-7 S Não somente foram eles iniciados nos costumes babilônios, mas também lhes foram
dados nomes babilônios. Tudo isto provavelmente era destinado a ajudá-los a esquecer suas
fidelidades judaicas; de fato, os novos nomes parecem referir-se a deuses babilônios.
Daniel (“Deus é meu juiz”) S Beltessazar (“um servo de Bel”)
Hananias (“o Senhor é bondoso”) S Sadraque (“inspirado pelo deus sol”)
Misael (“quem é o que Deus é”) S Mesaque (“quem é o que o deus lua é”)
Azarias (“o Senhor ajuda”) S Abednego (“servo de Nebo”)7
B. Daniel se recusa a contaminar-se, 1:8-16.
1:8 S Eles puderam mudar o nome de Daniel, sua lealdade, não. Eles puderam ensinar-lhe o
“conhecimento” babilônio, sua religião, não. O assunto de comer da mesa do rei envolvia sua
relação com Deus. Não nos é dito por que isto “contaminaria” Daniel. Talvez fosse carne que
tivesse sido sacrificada aos ídolos e comê-la teria sido visto como adoração ao ídolo (veja 1
Coríntios 10:28). Ou talvez fosse comida proibida aos hebreus como imunda (Levítico 11), ou
carne que tivesse sido sangrada inadequadamente (Levítico 17:14). Qualquer que fosse a razão
que a faziam errada, “resolveu Daniel, firmemente, não contaminar-se”.
1:9-10 S Aspenaz, o chefe dos eunucos, gostou de Daniel. Mas sua própria vida correria perigo
se fosse descoberto que ele não tinha executado as ordens do rei. Ele argumentou que, se eles
não comessem a comida do rei e não bebessem o vinho do rei, sua aparência logo mostraria
a diferença, e ele então seria condenado à morte.
1:11-13 S Daniel pediu ao eunuco especialmente encarregado dele e de seus três companheiros
hebreus, que lhes desse um período de experiência de dez dias. Ele persuadiu-o a dar-lhes
legumes para comer e água para beber.
1:14-16 S No fim deste período experimental, o eunuco encarregado descobriu que eles
pareciam melhores e mais cheios de carne do que todos os outros que tinham comido a
comida do rei. Portanto lhes foi concedido seu pedido de legumes e água durante todo o
período de treinamento.
C. Deus recompensa seus servos fiéis, 1:17-21.
1:17 S O sucesso destes quatro jovens hebreus foi o resultado da bênção especial do Senhor.
Deus lhes deu destreza em todo o conhecimento e sabedoria. A Daniel foi dada a capacidade
de entender o significado dos sonhos e visões.
1:18-19 S Eles foram levados diante do rei para serem examinados, depois de completados
seus três anos de preparação. Daniel e seus três companheiros hebreus ultrapassaram todos
os outros.
1:20-21 S Eles eram “dez vezes” melhores (um esplêndido grau) do que todos os outros sábios
do rei. Foram indicados para a equipe permanente de conselheiros. Daniel continuou ainda “até
ao primeiro ano do rei Ciro”, o que mostra que sobreviveu em um novo império. Realmente,
Daniel 10:1 afirma que ele recebeu uma visão no terceiro ano de Ciro; assim, isto não pretende
dizer-nos quando ele morreu ou parou de profetizar, mas que seu trabalho abrangeu todo o
período babilônio.
Aplicações para os Dias de Hoje:
1. Daniel 1:8 S A obediência fiel deve partir do coração do homem. Nenhum dos servos de Deus
ficará sem prova. Aqueles com atitude displicente, que servem só quando convém, cairão na
tentação do diabo (Efésios 6:10-18; Romanos 6:16-18).
2. Daniel 1:17 S Deus opera em seu povo para cumprir seu propósito. Mesmo no cativeiro
babilônio Deus usou seu povo quando preparava uma parte para a vinda do Messias. Ele
abençoou os fiéis com o sucesso. Hoje ele continua a recompensar aqueles que, com a
coragem da convicção, defendam Jesus Cristo (Marcos 10:29-30; 2 Timóteo 1:12)
O jejum é uma forma de demonstrar a Deus a nossa grande necessidade da Sua ajuda. A Bíblia diz em Esdras 8:21 “Então proclamei um jejum ali junto ao rio Ava, para nos humilharmos diante do nosso Deus, a fim de lhe pedirmos caminho seguro para nós, para nossos pequeninos, e para toda a nossa fazenda.”
O jejum não deve ser usado para fazer uma boa impressão nos outros. A Bíblia diz em Mateus 6:17-18 “Tu, porém, quando jejuares, unge a tua cabeça, e lava o teu rosto, para não mostrar aos homens que estás jejuando, mas a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.”
O jejum pode ser um simples regime alimentar. A Bíblia diz em Daniel 10:2-3 “Naqueles dias eu, Daniel, estava pranteando por três semanas inteiras. Nenhuma coisa desejável comi, nem carne nem vinho entraram na minha boca, nem me ungi com ungüento, até que se cumpriram as três semanas completas.”
O Livro De Daniel
Eventos Históricos, Capítulos 1 - 6
As Visões Apocalípticas, Capítulos 7 - 12
Sob o Império Babilônio Sob o Império Medo-Persa
A prova de Daniel como cativo, capítulo 1 A prova da cova dos leões, capítulo 6
Interpretação do sonho de Nabucodonosor
sobre os reinos vindouros, capítulo 2
Os amigos de Daniel se recusam a
curvar- se ante imagens e suportam a
prova da fornalha ardente, capítulo 3
Interpretação do sonho de Nabucodonosor
sobre o império de Deus, capítulo 4
1º Ano de Belsazar 1º Ano de Dario, o Medo
A visão de Daniel sobre os reinos do mundo, A oração de Daniel e a visão
capítulo 7 das setenta semanas,
As Visões Apocalípticas, Capítulos 7 - 12
Sob o Império Babilônio Sob o Império Medo-Persa
A prova de Daniel como cativo, capítulo 1 A prova da cova dos leões, capítulo 6
Interpretação do sonho de Nabucodonosor
sobre os reinos vindouros, capítulo 2
Os amigos de Daniel se recusam a
curvar- se ante imagens e suportam a
prova da fornalha ardente, capítulo 3
Interpretação do sonho de Nabucodonosor
sobre o império de Deus, capítulo 4
1º Ano de Belsazar 1º Ano de Dario, o Medo
A visão de Daniel sobre os reinos do mundo, A oração de Daniel e a visão
capítulo 7 das setenta semanas,
capítulo 9
3º ano de Belsazar
A visão do Carneiro (Média, Pérsia) e 3º Ano de Ciro, o Persa
do bode peludo (Grécia), capítulo 8 A visão de Daniel do fim dos tempos,
capítulos 10-12
O homem que conforta Daniel, cap. 10
Conflito entre o norte (Síria)
e o sul (Egito), capítulo 11
O tempo do fim, capítulo 12
1
3º ano de Belsazar
A visão do Carneiro (Média, Pérsia) e 3º Ano de Ciro, o Persa
do bode peludo (Grécia), capítulo 8 A visão de Daniel do fim dos tempos,
capítulos 10-12
O homem que conforta Daniel, cap. 10
Conflito entre o norte (Síria)
e o sul (Egito), capítulo 11
O tempo do fim, capítulo 12
1
Introdução
O LIVRO DE DANIEL
O livro de Daniel é incomparável, não somente porque revela alguns dos temas de profecia mais
importantes, mas também por causa de sua estrutura. Os primeiros seis capítulos de Daniel
contêm histórias de fé contadas de um modo que impressiona até mesmo crianças pequenas,
mas têm aplicações práticas que inspiram os cristãos amadurecidos. Os últimos seis capítulos, contudo,
desafiam até mesmo o estudante avançado da Bíblia por causa do estilo apocalíptico no qual é escrito.
Daniel tem estado sob ataque talvez mais do que qualquer outro livro de profecia. Teólogos liberais
negam sua integridade e declaram que o livro é uma espalhafatosa falsificação. Por outro lado, muitos
teólogos “fundamentalistas” têm torcido a mensagem do contexto e têm permitido que suas
imaginações se desgovernem, de modo a dar explicações pré-milenaristas às partes apocalípticas
figurativas.
Em vista destas controvérsias sobre Daniel, precisamos ser cautelosos para que não insiramos idéias
preconcebidas em sua mensagem. Primeiro, aprendamos sua ambientação histórica, e então
certifiquemo-nos de que a interpretação aceita para as passagens difíceis siga as regras básicas do
estudo da Bíblia: ì A interpretação precisa concordar em contexto com o próprio livro; e í Ela precisa
ser consistente com tudo o mais que a Bíblia diz sobre o assunto.
I. Ambiente para Estudar o Livro
A. Daniel, o homem em si
1. O nome “Daniel” significa “Deus é meu juiz”.
2. Daniel era um homem de fé profunda e persistente. Quando jovem, “resolveu...,
firmemente, não contaminar-se” (1:8), mesmo quando nesse tempo ele estivesse
desobedecendo uma ordem do rei sob o qual ele estava cativo. O princípio de obedecer a
Deus acima do homem guiou-o através de toda a sua vida e foi exemplificado novamente
quando era um velho, talvez perto dos noventa anos, quando ele foi lançado na cova dos
leões por recusar uma ordem do rei (Daniel 6).
3. Daniel foi abençoado por Deus por causa desta fé. Ele serviu, como estadista, conselheiro
e profeta de Deus, aos reis da Babilônia e mais tarde aos reis dos medos e dos persas. Ele
anunciou destemidamente aos reis ateus que Deus impera nos reinos dos homens.
4. Daniel era um contemporâneo tanto de Jeremias como de Ezequiel, ainda que nenhuma
referência indique que estes homens tenham passado tempo juntos ou conferenciado um
com o outro. Jeremias tinha provavelmente vinte anos a mais do que Ezequiel e Daniel, que
tinham aproximadamente a mesma idade. Os três profetas fizeram sua obra em lugares
diferentes:
a. Jeremias permaneceu em Jerusalém (626-586 a.C.)
b. Daniel viveu na cidade capital da Babilônia (605-534 a.C.)
c. Ezequiel estava na Babilônia com os exilados judeus (592-570 a.C.).
5. Nada sabemos sobre a vida pessoal de Daniel além do que é revelado no próprio livro. Em
tempos anteriores, o termo “eunuco” era usado para se referir àqueles da nobreza em vez
de ter nosso uso comum, portanto, se Daniel era casado ou não, é incerto.2
B. A data da sua obra (605-534 a.C.)
1. Daniel estava entre os primeiros cativos levados de Jerusalém para a Babilônia em 605 a.C.
e continuou lá durante o período de setenta anos durante os quais os israelitas estiveram
em cativeiro (veja Daniel 1:1,21;10:1; Jeremias 25:11;29:10).
2. Datas importantes a lembrar:
a. 612 a.C. S Queda de Nínive, capital do império assírio.
A Assíria tinha dominado o mundo desde os dias de Tiglate-Pileser em 845 a.C.
Nabopalasar subiu ao trono da Babilônia e se rebelou com sucesso contra os assírios
em 625 a.C. Nabucodonosor, seu filho, foi o general que conduziu o exército babilônio
contra Nínive, derrotando-o em 612 a.C.
b. 605 a.C. S A batalha de Carquêmis provou a supremacia babilônia.
Depois que a Assíria foi vencida, os egípcios se levantaram e o faraó Neco veio com seu
exército lutar contra os babilônios em Carquêmis. De novo, Nabucodonosor provou sua
astúcia vencendo duramente os egípcios e então perseguiu-os no caminho para o sul,
através de Judá. Em Jerusalém, contudo, ele soube da morte de seu pai Nabopalasar.
Retornou imediatamente à Babilônia para assumir o trono de seu pai, mas levou
consigo alguns reféns dos judeus. Daniel e seus três amigos estavam entre os primeiros
cativos levados. Não nos é dito quantos outros foram levados.
c. 597 a.C. S Uma segunda leva foi encaminhada para Babilônia, incluindo Ezequiel.
Joaquim (Jeconias, Conias) tinha sucedido ao reino de seu pai, Jeoaquim. Contudo,
durou somente três meses antes que Nabucodonosor viesse para remover seu rei
rebelado e 10.000 judeus, entre os quais estava Ezequiel (2 Reis 24:8-16; Ezequiel
1:1-3).
d. 586 a.C. S Jerusalém caiu e o templo foi destruído.
Zedequias tinha sido instalado como governador em Jerusalém, mas foi fraco e
vacilante. Finalmente, onze anos depois, o exército babilônio devastou totalmente
Jerusalém (2 Reis 25:1-7). A maioria dos judeus que não foram mortos foram levados
cativos para a Babilônia. Jeremias preferiu permanecer atrás com alguns poucos
sobreviventes (Jeremias 40-44).
e. 536 a.C. S Babilônia cai, e a primeira leva retorna a Jerusalém.
Ciro, o rei persa, envia de volta a primeira leva para Jerusalém, guiada por Zorobabel
(leia os livros de Esdras e Neemias). A fundação do templo foi lançada em 520 a.C. e
completada em 516 a.C. (leia Ageu e Zacarias).
f. 457 a.C. S Uma segunda leva retorna com Esdras.
A nação é reorganizada e a palavra de Deus é lida.
g. 444 a.C. S uma terceira leva retorna com Neemias.
O muro é reconstruído em volta de Jerusalém.
C. Tema do Livro de Daniel: “O Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens” (Daniel 2:21;
4:17,25,32,34-35; 5:21).
O livro trata do conflito entre o reino de Deus e os reinos do mundo. Naturalmente, por trás
disto está o conflito entre Deus e as divindades pagãs. Deus prometeu estabelecer seu próprio
reino e defender a causa de seus santos que o serviam naquele reino (Daniel 2:44;7:27). A
verdade desta profecia é comprovada pelo fato que Deus é ainda conhecido em todo o mundo,
mas todas as divindades pagãs dos dias de Daniel foram esquecidas.
Parte I: Eventos Históricos, Capítulos 1 - 6
I. Daniel Propôs em seu Coração que Não se Contaminaria, 1:1-21.
A. Daniel e três amigos são selecionados para preparação especial, 1:1-7.
1:1 S O começo do cativeiro de Daniel é dado como “o terceiro ano” do reinado de Jeoaquim.
Os críticos gostam de se referir a esta passagem como prova de contradição, porque Jeremias
25:1 diz “o quarto ano de Jeoaquim foi o primeiro ano de Nabucodonosor”. Porém não ocorre
contradição aqui. Jeremias estava falando do ponto de vista hebreu enquanto Daniel estava
falando do ponto de vista babilônio. Os babilônios não contavam o ano no qual um homem se
tornava rei enquanto um ano inteiro de reinado não era completado, enquanto os hebreus
consideravam qualquer parte do ano da ascensão como o primeiro ano. Portanto, o quarto ano
hebreu era equivalente ao terceiro ano babilônio.
1:2 S Antes da invasão de Jerusalém, Nabucodonosor tinha derrotado o Egito em Carquêmis,
o que provou claramente que a Babilônia era o poder dominante (Jeremias 46:2). Ele perseguiu
os egípcios até o sul de Jerusalém onde ele soube da morte de seu pai. Então retornou à
Babilônia para assumir o trono, mas levou consigo alguns cativos judeus e tesouros do templo
para a terra de Sinar, que é a área da Babilônia também conhecida como Caldéia.
“O Senhor lhe entregou nas mãos a Jeoaquim”. Nabucodonosor não teria sucesso se não fosse
permitido por Deus (cf. Jeremias 27:5-8). Isto dá o tom do tema da profecia de Daniel: “Deus
tem domínio sobre o reino dos homens”. Não nos é dito quantos cativos foram levados desta
vez; somente que Daniel, Hananias, Misael e Azarias estavam entre eles. Lembramos esta data
(605 a.C.) como o começo do cativeiro de Judá. Nabucodonosor veio contra Jerusalém mais
duas vezes (597 a.C. e 586 a.C.).
1:3-4 S Nabucodonosor comissionou Aspenaz, chefe de seus servos, para selecionar alguns dos
jovens judeus nobres para serem preparados na sabedoria e cultura dos caldeus. Sabemos que
eram jovens, mas qual exatamente era a idade deles é incerto. Muitos estudiosos pensam que
Daniel tinha entre quatorze e vinte anos. Ele era um jovem de estatura elegante e inteligente, e
agora é selecionado para um papel honroso no reino de Nabucodonosor. Estas vantagens
tentariam a maioria dos jovens a serem orgulhosos e arrogantes, mas Daniel nunca esqueceu
que seu primeiro dever era ser um servo de Deus!
1:5 S O rei favoreceu estes jovens com alimento de sua própria mesa. Durante três anos eles
deveriam receber provisões reais e educação, de modo que pudessem ser preparados para
servir no governo de Nabucodonosor.
1:6-7 S Não somente foram eles iniciados nos costumes babilônios, mas também lhes foram
dados nomes babilônios. Tudo isto provavelmente era destinado a ajudá-los a esquecer suas
fidelidades judaicas; de fato, os novos nomes parecem referir-se a deuses babilônios.
Daniel (“Deus é meu juiz”) S Beltessazar (“um servo de Bel”)
Hananias (“o Senhor é bondoso”) S Sadraque (“inspirado pelo deus sol”)
Misael (“quem é o que Deus é”) S Mesaque (“quem é o que o deus lua é”)
Azarias (“o Senhor ajuda”) S Abednego (“servo de Nebo”)7
B. Daniel se recusa a contaminar-se, 1:8-16.
1:8 S Eles puderam mudar o nome de Daniel, sua lealdade, não. Eles puderam ensinar-lhe o
“conhecimento” babilônio, sua religião, não. O assunto de comer da mesa do rei envolvia sua
relação com Deus. Não nos é dito por que isto “contaminaria” Daniel. Talvez fosse carne que
tivesse sido sacrificada aos ídolos e comê-la teria sido visto como adoração ao ídolo (veja 1
Coríntios 10:28). Ou talvez fosse comida proibida aos hebreus como imunda (Levítico 11), ou
carne que tivesse sido sangrada inadequadamente (Levítico 17:14). Qualquer que fosse a razão
que a faziam errada, “resolveu Daniel, firmemente, não contaminar-se”.
1:9-10 S Aspenaz, o chefe dos eunucos, gostou de Daniel. Mas sua própria vida correria perigo
se fosse descoberto que ele não tinha executado as ordens do rei. Ele argumentou que, se eles
não comessem a comida do rei e não bebessem o vinho do rei, sua aparência logo mostraria
a diferença, e ele então seria condenado à morte.
1:11-13 S Daniel pediu ao eunuco especialmente encarregado dele e de seus três companheiros
hebreus, que lhes desse um período de experiência de dez dias. Ele persuadiu-o a dar-lhes
legumes para comer e água para beber.
1:14-16 S No fim deste período experimental, o eunuco encarregado descobriu que eles
pareciam melhores e mais cheios de carne do que todos os outros que tinham comido a
comida do rei. Portanto lhes foi concedido seu pedido de legumes e água durante todo o
período de treinamento.
C. Deus recompensa seus servos fiéis, 1:17-21.
1:17 S O sucesso destes quatro jovens hebreus foi o resultado da bênção especial do Senhor.
Deus lhes deu destreza em todo o conhecimento e sabedoria. A Daniel foi dada a capacidade
de entender o significado dos sonhos e visões.
1:18-19 S Eles foram levados diante do rei para serem examinados, depois de completados
seus três anos de preparação. Daniel e seus três companheiros hebreus ultrapassaram todos
os outros.
1:20-21 S Eles eram “dez vezes” melhores (um esplêndido grau) do que todos os outros sábios
do rei. Foram indicados para a equipe permanente de conselheiros. Daniel continuou ainda “até
ao primeiro ano do rei Ciro”, o que mostra que sobreviveu em um novo império. Realmente,
Daniel 10:1 afirma que ele recebeu uma visão no terceiro ano de Ciro; assim, isto não pretende
dizer-nos quando ele morreu ou parou de profetizar, mas que seu trabalho abrangeu todo o
período babilônio.
Aplicações para os Dias de Hoje:
1. Daniel 1:8 S A obediência fiel deve partir do coração do homem. Nenhum dos servos de Deus
ficará sem prova. Aqueles com atitude displicente, que servem só quando convém, cairão na
tentação do diabo (Efésios 6:10-18; Romanos 6:16-18).
2. Daniel 1:17 S Deus opera em seu povo para cumprir seu propósito. Mesmo no cativeiro
babilônio Deus usou seu povo quando preparava uma parte para a vinda do Messias. Ele
abençoou os fiéis com o sucesso. Hoje ele continua a recompensar aqueles que, com a
coragem da convicção, defendam Jesus Cristo (Marcos 10:29-30; 2 Timóteo 1:12)



Nenhum comentário:
Postar um comentário